portfólio

9 de julho de 2016

Nada importante

Eu tô caindo. Eu sei que eu tô caindo e não tô fazendo nada. Queria desligar a vida da tomada e torcer pra não ter bateria extra pra segurar.

Eu tô caindo e ainda tem quem diga que é falta de vontade. Que eu levantaria se quisesse de verdade, mas o que eles sabem? Me diz, o que eles sabem?

Eu vou caindo e vou me agarrando em galhos falsos. Vou arrastando os meus joelhos no asfalto e o mais estranho é que eu nem sinto dor.

Vai ver eu sinta, mas aqui dentro alguma coisa dói bem mais e eu me perca em tantos dias iguais em que eu até tô bem, mas isso não me importa.

21 de fevereiro de 2016

Eu decidi desligar a TV e voltar pro quarto, abrir a janela e deitar na cama. Daqui posso ver um pedaço de um céu encoberto e sentir um pouco do vento que escapa aqui pra dentro. Sirene, buzina, barulho de coisas caindo. Carros e caminhões, motos e músicas de dezenas de casas diferentes. Os carros parando nos semáforos também soltam ruídos parecidos com apitos.

Mas não ouço voz. Não tem nada. Nem palavras de consolo, nem de desprezo. Nada.

E eu, transbordando ideias e ideais, simplesmente não tenho onde ou com quem desenvolver um único raciocínio. 

No meio de tanta coisa acontecendo, me dou conta de que nada acontece por aqui.

Vejo sentimentos se desfazendo, desgastando, emoções se afastando, o clima esfriando e nada mais acontecendo. Nenhum choro, nenhum lamento, nenhuma voz.

Pensando nisso me dou conta que não tem nada mais solitário do que não ter com quem pensar. 

14 de novembro de 2015

Contra a maré

Sempre achei que as pessoas que mais me conhecem deveriam ser aquelas que mais zelam pelo meu bem estar. Por exemplo, qual o sentido em falar sobre meus medos, anseios e ideais se no final das contas tudo vai ser usado contra mim? 

Eu achei que por falar que não sei lidar com desrespeito, as pessoas não me desrespeitariam. Achei que por falar que não sei perdoar traição, as pessoas não me trairiam. Achei que por falar que mentiras me afetam demais, as pessoas não mentiriam pra mim. 

Me enganei. 

Eu não sei exatamente a razão, mas o ser humano sempre usa o ponto fraco do outro como uma "carta na manga" pra algum momento oportuno. O ser humano sempre quer tirar vantagem e sair por cima. Nós, estes seres racionais e "superiores" somos ruins por natureza. 

Não, não perdi as esperanças. Acho que existem os que lutam contra essa naturalidade bizarra que a razão traz e espero ir encontrando pessoas assim durante a vida. Gosto de olhar pros meus bichinhos e perceber como a simplicidade e felicidade surgem quando a gente não pensa em "ter" ou "ser" mais que nada nem ninguém. Não me apego em elos sanguíneos ou de qualquer coisa do gênero e algumas pessoas me condenam por isso. Sei que tenho amigos mais família que família de verdade e isso conta muito no que sei sobre o assunto. 

Não tenho dificuldade em deixar passar aqueles que usam minhas fraquezas contra mim. É o que tenho feito. É o que vou continuar fazendo. No mais, o ser humano é naturalmente ruim. A gente nem sempre nasce fazendo maldades, mas a razão afeta diretamente no desenvolvimento dela e consequentemente a gente tira vantagem de tudo. 

Vai de cada um lutar contra isso e nadar contra a maré. E continuar mesmo que canse.

13 de novembro de 2015

"Vai embora"

Ouvi isso duas vezes na minha vida. A primeira delas é a razão pela qual vim e vivo em São Paulo até hoje. Analisando friamente, passei muito perrengue, mas cheguei até aqui. 

Tive conflitos emocionais, sociais e racionais, mas sou o que sou hoje. Ouvi "vai embora" de duas pessoas realmente importantes pra mim. Uma me fez chegar até aqui, a outra foi hoje. 

E vendo assim, mesmo tendo sido dito em situações e intenções bem diferentes, "ir embora" talvez nem seja de todo mal.

22 de outubro de 2015

Hipocrisia cansa

E me chamam de impulsiva. 

Só consigo concluir que o mundo tá transbordando de hipócritas disfarçados de "bom moço". Ou "moça", nesse caso específico. 

16 de outubro de 2015

Melhor dormir

E de repente eu encontro mil razoes pra não amar. Como se não bastasse, mais umas cinco pra esquecer. E assim, só brincando, mais 8 pra apagar. Então eu durmo e deixo pra pensar nisso depois.

23 de julho de 2015

Respeitarão?

Você se esforça. Você avisa. Nem todos os seus dias são ideais. Nem todos os seus sorrisos são reais, mas só percebe quem quer. 

Não são todos que respeitam. Não são todos que respeitarão. Mesmo assim você não desiste e avisa. Você se esforça, mas nem todo mundo está disposto a escutar. 

Seu dia foi ruim. Só esse de tantos outros muito bons, mas te tiram esse direito de cansar. Você esgota e até repensa sobre o que é ou não necessário para viver a sua vida.

Vai perder alguém? Se for assim, tanto faz.


26 de junho de 2015

O melhor lugar pra guardar o que eu penso

Quando a gente conhece muito uma pessoa a gente falha. Falha na hora de parar e perceber porque a gente acha que já sabe. Falha na hora de pensar antes de dizer porque a gente acha que não precisa disso. Falha na hora de entender porque a gente acha que sempre entende, mas não é verdade.

Quando a gente conhece muito uma pessoa, a gente acha que tem o direito de não analisar e não considerar mais o que ela fala porque deduz que não precisa mais fazer isso. Quando a gente conhece muito uma pessoa, a gente acha que tem o direito de dizer o que quer porque acha que a pessoa vai entender sempre que "não foi por mal" ou que "foi na melhor das intenções". Quando a gente conhece muito uma pessoa, a gente acha que tem o direito de ser cego, indutivo, condicionado, injusto.

Mas não... ninguém tem o direito de fazer um monte de suposições e depois julgar os outros com base nelas. 

26 de abril de 2015

O Pensar

Se eu for por ti e tu fores por ti, quem será por mim?

Já me perguntei isso várias vezes. Já perguntei isso várias e várias vezes, também. Nunca me responderam. Nem eu me respondi.

Algumas coisas são estranhas, tristes quando percebidas. Eu já concluí o que deve ser feito mil vezes, mas por que não faço?

A vida não foi feita pra pesar. Foi feita pra ser leve, pra dar vontade de tê-la e vivê-la, não de deixar ela largada por aí. O sonhos deveriam motivar e ser energia boa, força, garra, mas não.

Existem frases no meio da conversa que me fazem parar pra pensar. E eu penso demais. As vezes sou injusta comigo (e com os outros também), mas eu penso.

Uma palavra, uma entonação. Qualquer sinal que me mostre que as linhas não se encontram, que os sonhos não se cruzam, que as ideias e os ideais não batem, qualquer coisa desse tipo me alarma o pensamento e não consigo mais andar. Eu travo. Não insisto. Desisto.

Eu desisto várias vezes das coisas antes de desistir de uma vez. Não queria ser assim. Queria ser mais decidida e ser fiel ao que eu quero realmente. Pena que as vezes o que eu quero mesmo é desistir, outras é tentar um pouquinho mais. Aí não adianta de nada.


Eu até penso em mim, mas acho que deveria pensar mais.